Minha casa, Minha cara

Cristiane Teixeira

Por: Cristiane Teixeira Fotos: Marcelo Donadussi (Divulgação da Arqsoft)

Um apartamento com a planta livre, porém uma planta típica do Rio Grande do Sul: a churrasqueira já estava prevista para ficar dentro de casa. Foi um imóvel assim que um jovem casal de Porto Alegre comprou antes que a construção iniciasse. Por ele esperaram durante dois anos, mas não de braços cruzados. E quando a obra foi entregue, havia pouco a ser feito
antes de chegarem com as malas.


Dois anos antes, a primeira providência tinha sido contratar um escritório de arquitetura para personalizar o imóvel de 107 m². Quantos quartos ele teria? De que tamanho? A cozinha seria fechada ou aberta para a sala? Precisava de lavabo? Precisava de lavanderia? Qual seria o piso de cada área? E as bancadas de pia?


“Fomos definindo tudo enquanto o prédio subia”, diz a arquiteta Luiza Behs, que conduziu a reforma em parceria com os pais, a arquiteta Lisia Behs e o engenheiro Álvaro Behs, da Arqsoft Arquitetura e Engenharia. “Quase sempre é possível modificar tudo depois que a construção está pronta, mas antes é melhor. Assim a gente evita desperdício de materiais, de tempo e de dinheiro. É muito mais sustentável”, defende a jovem profissional.

Como a área de 107 m² foi planejada

Além da própria suíte, os moradores preferiram ter mais um quarto – para hóspedes ou um bebê. Preferiram, ainda, criar uma lavanderia, já que o segundo banheiro se abre para o corredor e serve de lavabo. E como a nutricionista e o cirurgião dentista se divertem cozinhando para os amigos, outra questão importante foi logo resolvida: churrasqueira, cozinha e sala comporiam um único e espaçoso ambiente.

Enquanto o estar alinhou-se com os quartos, no lado oposto da planta a arquiteta organizou as áreas funcionais. Na transição de uma para a outra, projetou a ilha do cooktop, abraçada por uma grande mesa de jantar. Todos os outros equipamentos – refrigerador, fornos, pia, lavadora de louça e churrasqueira –, além de armários, se sucedem ao longo da parede que
delimita o apartamento.

À frente da churrasqueira, Luiza ainda instalou uma bancada multiuso. Ou seja, funciona como balcão para petiscos e como área de trabalho. “No trecho de granito o churrasqueiro pode apoiar os espetos sem medo de danificar a superfície”, afirma. Afora ser resistente, a pedra é fácil de limpar e durável. E fez bela parceria com o MDF amadeirado e a estrutura metálica rústica que modelam o móvel. Somando os assentos junto à churrasqueira, à mesa e à frente do cooktop, o casal pode reunir 14 pessoas para comer, sem abrir mão do conforto.

Já que beber também faz parte do cardápio recreativo, tanto uma adega quanto uma cervejeira conquistaram espaço próprio. “Elas foram posicionadas junto ao painel da TV e à lareira, para livre acesso de todos”, lembra a arquiteta. Dessa forma, a área da cozinha ficou mais liberada e a sala, convidativa.

Outro recurso valoroso foi criar um segundo ambiente de estar aproveitando a sacada estreitinha. Para isso, bastaram uma cadeira baixa, mesinha, pufes e um banco posicionado às costas do sofá. “Como as esquadrias vão do piso ao teto, usei a sacada como uma continuação
da área interna”, explica Luiza.

Visual se compõe de poucos materiais

O gosto dos clientes pelo concreto ditou os acabamentos. O material já estava presente na laje nervurada feita pela construtora e mantida visível em quase todo o imóvel. Só há rebaixo de gesso onde foi preciso acomodar o sistema de automação e os dutos de ar condicionado e de exaustão do próprio apartamento. E também onde passam as instalações sanitárias do imóvel de cima.

A aparência do concreto referenciou o piso de porcelanato e a pintura texturizada do hall de entrada. A esses acabamentos se somou a marcenaria da área social, ora em padrão amadeirado, ora grafite. E outros tons de cinza deram conta dos estofados, dos azulejos acima da pia da cozinha, de cortinas e tapetes.

No quarto, os armários conjugam superfícies brancas e espelhadas. Para trazer aconchego, o chão recebeu um revestimento que é uma lâmina de madeira colada no contrapiso. “Ao contrário dos pisos laminados tradicionais, este não é do tipo flutuante. É melhor porque não faz aquele barulhinho característico quando a gente anda com salto”, explica Luiza, que harmonizou o material com o marrom do porcelanato e do gabinete do banheiro.

Por fim, vasos com plantas de vários tamanhos completaram a decoração, trazendo a energia da natureza para um apartamento cheio da energia de seus moradores.

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