Minha casa, Minha cara

Criar espaços de trabalho que lembrem o aconchego dos ambientes domésticos é tendência bem-vinda.

Cristiane Teixeira

Por: Cristiane Teixeira Fotos: Ivan Araújo/Dobra Arquitetura e Nicole Franzen/GRT Architects

Talvez a moda não sirva para todo tipo de negócio, porém há alguns que se encaixam perfeitamente nessa onda que extrapola fronteiras e culturas. É o caso das empresas de design, como a brasileira Estúdio Lampejo, de Belo Horizonte, e a americana Objective Subject.

Recentemente, ambas mudaram de endereço e, na repaginação das novas sedes, imperou a ideia de fugir à ambientação formal corporativa e reivindicar espaços identificados com as pessoas que neles trabalham e com seu jeito de viver, em geral bem mais descontraído. O custo das obras se beneficiou do conceito, porque os arquitetos tiraram partido de móveis de linhas simples e de acabamentos tão econômicos quanto a tinta. Até os vasos de plantas encontraram lugar nessas propostas!

Os projetos ficaram tão diferentes dos escritórios habituais, que é preciso um olhar mais demorado para perceber que não se trata de ambientes residenciais. E, se é assim, por que não se inspirar neles para dar uma renovada na casa? Ou para montar um home office bem agradável?

No Brasil, cor chamativa e móveis versáteis

As paredes numa tonalidade de rosa puxada para o salmão e a vista panorâmica de Belo Horizonte impactam os clientes assim que eles cruzam a entrada do Estúdio Lampejo, especializado em design gráfico voltado principalmente para ações culturais.

“Eles fazem um trabalho muito irreverente e nós queríamos que o lugar também fosse assim”, diz a arquiteta Fernanda Chagas, do escritório mineiro Dobra Arquitetura.  Em busca de um visual menos burocrático, ela e o sócio Gabriel Jota, além da arquiteta Bianca Ribeiro, decidiram tirar partido das principais qualidades do espaço de 45 m²: a vista ampla, a luminosidade farta e o piso antigo de tacos de madeira.

Desenharam uma marcenaria leve e versátil, que pode ser facilmente adaptada em outro endereço, se necessário. O item principal, a estante, é na verdade composto por três partes independentes – uma torre, uma espécie de aparador e um armário suspenso, que também pode ser instalado no chão. “Todos os materiais e equipamentos ficam concentrados ali, do frigobar à impressora”, explica Fernanda, destacando que o conjunto não tem cara nem de móvel para copa nem de mobiliário de escritório.

Outras peças que poderiam estar em uma casa são o bufê azul usado para apoiar o filtro de água e as cadeiras vermelhas. Essas últimas já existiam quando o projeto foi delineado, por isso pesaram na definição do tom de rosa. E sabe de onde os arquitetos tiraram a ideia de imprimir um colorido marcante no ambiente? Fernanda conta: “Foi por causa do banheiro bem no meio da sala: ou a gente disfarçava aquele volume ou chamava de vez a atenção para ele. Preferimos a segunda opção”. Mas, será que a cor não cansa? “Não, porque ninguém fica de frente para o banheiro nem passa muito tempo no hall de entrada, onde o rosa domina.”

Nos EUA, áreas com tons distintos

Em vez de integrar, o projeto do GRT Architects para a sede nova-iorquina da Objective Subject acentuou a independência entre os três ambientes que formam o escritório de 88 m² no topo de um prédio.

“Descobrimos que acentuar radicalmente as diferenças entre as salas existentes e aumentar a sua separação se adequava ao desejo do cliente por um espaço de trabalho mais parecido com uma casa do que com um escritório”, afirmam os profissionais do GRT em seu website.

O cômodo de acesso é a cozinha, planejada para jantares informais e também para a edição de grandes materiais impressos. Parte das paredes e a marcenaria ganharam uma pálida versão de cor-de-rosa, ainda mais suavizada pela luz que chega pela claraboia no telhado inclinado.

Da cozinha se alcançam o escritório e a sala de reunião, igualmente contemplados por iluminação zenital. Enquanto a primeira faz uso de um cinza muito claro para tingir o piso e dar forma às estações de trabalho e à estante, a segunda se cobre de um azul tão escuro que pode ser confundido com preto. Se cobre mesmo: o piso foi todo revestido de carpete e as paredes e o teto, pintados nesse tom. “O espaço te envolve com uma profundidade absorvente, textura e isolamento acústico”, dizem os arquitetos.

 

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