Minha casa, Minha cara

As placas de captação de energia solar integram-se ao projeto arquitetônico e formam o belo telhado da área social do hotel

Cristiane Teixeira

Por: Cristiane Teixeira

Fotos: Kudadoo Maldives Private Resort

Não dava mesmo para querer esconder os painéis: há 984 deles posicionados sobre o prédio principal do empreendimento. São 1643 m² de placas que se alimentam da energia do sol para produzir eletricidade, ou seja, energia fotovoltaica. É o bastante para atender as 15 casas e áreas comuns que integram o luxuoso Kudadoo Maldives Private Resort.

Se em terra firme, onde se tem acesso à rede elétrica, esse sistema se torna cada vez mais relevante, imagine o que significa em uma ilha. Uma ilha, não: um conjunto de ilhas, as Maldivas. Nesse arquipélago deslumbrante no meio do oceano Índico, o mais comum é gerar eletricidade a partir do diesel.

O problema é que um gerador a diesel provoca tanta poluição quanto caminhões movidos a esse combustível. É algo que não combina nada, nada com um lugar paradisíaco, não é mesmo? E menos ainda com o país mais vulnerável ao aquecimento global: as Maldivas devem ser a primeira nação a desaparecer por causa da elevação do nível dos oceanos.

Receita de arquiteto para fazer do limão uma limonada

Como acontece com todos os resorts das Maldivas, só se chega ao Kudadoo de barco ou de hidroavião. Consequentemente, a primeira visão que os hóspedes têm do hotel é do alto. Por isso, ao traçar o prédio principal, o arquiteto Yuji Yamasaki promoveu a cobertura a atrativo número 1 da proposta.
“Nas Maldivas, tradicionalmente os painéis solares estão escondidos em áreas discretas”, afirma o fundador do escritório Yuji Yamasaki Architecture (YYA), sediado em Nova York. “No Kudadoo, o teto fotovoltaico é decididamente visível e se torna ícone do lugar.” E continua:
“Os visitantes podem entender instantaneamente nosso objetivo de integrar o sistema solar ao conceito geral de design”.

Ou seja, em vez de comprometer a estética, as placas ajudam a compor o desenho geométrico da cobertura. Enquanto isso, os degraus entre as fileiras de placas servem como entradas de luz natural, reduzindo o uso de luz artificial durante o dia. Segundo cálculos divulgados pelo empreendimento, em cinco anos o sistema de energia solar fotovoltaica se pagará. Até porque o diesel precisa ser importado…

Luxo e sustentabilidade caminham juntos

Aberto em dezembro passado, o Kudadoo já está listado entre os melhores hotéis de luxo do momento. Cada casa – com um ou dois quartos – mede mais de 300 m² e desfruta de uma piscina particular com borda infinita. (Não sei se deveria contar, mas cada casa conta com um mordomo também.)

Quando o hóspede se cansa de tanta privacidade, encontra nas áreas comuns uma piscina enorme, um spa com inúmeros tratamentos e massagens, restaurante, bar, adega etc. De fato, o resort parece fantástico, mas certamente a preocupação com a sustentabilidade influencia
as opiniões. E é justo que seja assim.

Além da autossuficiência energética, Yuji Yamasaki e sua equipe tomaram outros cuidados em prol do meio ambiente. Entre eles a própria localização das casas e da área social do empreendimento, a fim de não causar desmatamento. As construções, flutuantes, ocupam a lagoa que circunda a ilhota existente.

Os materiais são preferencialmente ecológicos, como a madeira – toda ela tem origem comprovada. Vinda do Canadá, Nova Zelândia e Indonésia, é resultante de manejo sustentável. No desenho das casas e do núcleo social, os arquitetos previram janelas que vão do chão ao teto e que são estrategicamente colocadas em paredes opostas. Assim, amplificam a
ventilação natural. Sem contar que as áreas descobertas das casas ficam na sombra por no mínimo cinco horas durante o dia, outra forma de amenizar o calor.

Impossível não gastar alguns minutos imaginando o que é deitar sob um ombrellone e passar o dia olhando o mar… Mas só dá para imaginar mesmo. Sabe qual o valor mínimo de uma diária para casal? Quatro mil dólares, sem impostos e taxas. Luxo para pouquíssimos, inspiração para
muitos.

Da arquitetura para a decoração

Seja pelos materiais, seja pelo visual, o projeto do YYA me remete para os seguintes produtos da Meu Móvel de Madeira e da Oppa:

Tapete Colina, da MMM. Você reparou que as casas do Kudadoo são
cobertas de palha natural? Por isso me lembrei desse tapete feito de palha de taboa e algodão.

Poltrona Bertini, da Oppa. O desenho da peça transpira relaxamento! A matéria-prima é eucalipto reflorestado e certificado pelo Ibama.

Baú Grande Keep, da MMM. Além de ser de pínus reflorestado, o modelo me lembra aqueles antigos baús usados como malas. E mala lembra o quê? Viagem!

Papel de parede Tropicana, da Oppa. A estampa tropical desse revestimento adesivo tem tudo a ver com o jeitão do resort nas Maldivas.

Estante Terre Demotion, da MMM. Ela é feita de pínus de floresta plantada e serve para todo tipo de ambiente, desde que coberto.

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