Minha casa, Minha cara

Veganos em visita a Londres já podem se hospedar em quartos totalmente livres de itens de origem animal.

Cristiane Teixeira

Por: Cristiane Teixeira

Quem pesquisa na internet opções de hospedagem vegana encontra uma listinha razoável de endereços em várias partes do mundo. Existe até mesmo uma meia dúzia de estabelecimentos no Brasil.

Porém, é só começar a ler sobre esses lugares para descobrir que o veganismo comparece apenas no prato. Ou, se está em outros aspectos dos hotéis, isso não fica evidente. Ora, quem não ingere nem leite nem mel – o que dizer das carnes, então? – costuma adotar uma rotina que recusa qualquer produto de origem animal.

E isso ultrapassa em muito a questão da alimentação. Justamente o que desejava mostrar o estúdio especializado em design de comida Bompas & Parr ao criar aquela que está sendo chamada de a primeira suíte vegana de hotel, em Londres. “O veganismo não é mais apenas uma tendência alimentar, mas também pode influenciar a escolha do estilo de vida”, dizem os idealizadores da proposta.

Se mata ou prejudica os animais, não pode

Afinal, vegano que é vegano evita a todo custo remédios e cosméticos testados em animais.
Dispensa calçados de couro e troca os casacos de lã natural pelos sintéticos ou de fibras vegetais.

Nada mais lógico, portanto, que os adeptos do veganismo estendam suas convicções à decoração da casa. Poltrona de couro e almofadas de seda? Nem pensar! Tapete de pele? De jeito nenhum! E como dormir tranquilo se a cabeça repousa sobre um ultramacio travesseiro de plumas de ganso?

Pois foram acessórios como esses que os designers do Bompas & Parr baniram da nova suíte do Hilton Bankside, na margem sul do rio Tâmisa. No lugar deles, entraram versões ambientalmente mais corretas.

Opções boas para todo mundo

No ambiente recém-inaugurado, que inclui quarto, banheiro e sala, a lã dá lugar ao algodão no carpete. Já o menu de travesseiros é variado. Estão disponíveis modelos com recheio de sementes de painço, de casca de trigo sarraceno, de espuma de fibra de bambu e de poliéster reciclado.

Mas são a cabeceira da cama, o sofá e as almofadas que levam o material mais inovador do projeto. Parece couro, porém trata-se de um revestimento ecológico, feito das fibras de celulose encontradas nas folhas do abacaxi. Lançado em 2014, o Piñatex é considerado tão resistente quanto o couro. Além disso, aproveita um subproduto da lavoura do abacaxi, uma matéria-prima que normalmente teria como destino o lixo.

Segundo o website da The Vegan Society, “tudo o que se toca na suíte vegana é adequado para um estilo de vida vegano, incluindo os produtos de higiene pessoal”. E continua: “Lençóis e toalhas são lavados em detergente ecológico e produtos veganos são usados na limpeza do quarto”.

E basta observar as fotos para perceber que a suíte vegana não deixa nada a dever às convencionais. Eu só fico mesmo na dúvida quanto ao conforto dos travesseiros – mas nunca experimentei nenhum dos tipos citados, que fique claro.

A conclusão, para mim, é que não é preciso ser vegano para ter e amar decoração vegana.

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