Minha casa, Minha cara

ARQUITETURA EM CASA

Por Cris Teixeira*

Há pouco mais de duas décadas eu descobri a arquitetura e a decoração. Até então eu nunca havia prestado atenção nos prédios e casas que se erguiam no meu caminho. Mas eis que dei a sorte de, recém-formada em jornalismo, ser selecionada como repórter de duas das mais importantes revistas brasileiras do segmento.
Aos poucos fui me apaixonando. Primeiro pela arquitetura e por aquelas que põem de pé as ideias tantas vezes mirabolantes de seus criadores, a engenharia e a construção. Meu olhar tratou de encontrar pouso nas fachadas enfileiradas, procurando identificar estilos e minúcias arquitetônicas.
Quando iniciei a busca pelo meu primeiro apartamento, entendi que, melhor que ler anúncios era andar pelas ruas e observar o tamanho das janelas dos apês anunciados: se elas fossem grandes, eu anotava o telefone do corretor de imóveis. Em minhas viagens de férias, passei a buscar roteiros arquitetônicos e a me maravilhar com a chance de visitar edifícios em construção e aprender um pouco mais sobre eles ali, entre paredes e lajes cruas, calçando botas de borracha e com a cabeça coberta por um capacete.
Melhor decifrada a arquitetura, o meu interesse foi conquistado por aquilo que caminha com ela: as artes plásticas, o paisagismo, a decoração e o design. Assimilando essas disciplinas, percebi como tudo isso, junto, tem o poder de melhorar a vida da gente. Nos meus tempos de estudante de jornalismo, era comum que os repórteres de economia e política considerassem que quem não cobria essas áreas escrevia, sim, sobre perfumaria. Ou seja, banalidades. Discordo.
Quando me encanto por essa ou aquela arquitetura, dificilmente é apenas por seu valor estético. A sedução acontece também por causa da iluminação natural, da ventilação, de não sentir nem demasiado calor nem demasiado frio, da circulação confortável pelos espaços, da surpresa trazida pelo enquadramento de um jardim lá fora, de uma escultura ou do poente… Nada disso é pouco. Como também não é menos relevante sentar-se em um sofá e sentir a textura agradável do tecido, notar que o corpo encaixa-se perfeitamente entre o assento e o encosto de uma cadeira, que as garrafas de vinho conservam-se melhor quando deitadas em uma adega do que de pé no armário.
Arquitetura, design, decoração, engenharia, construção, paisagismo, arte. Para mim, essas palavras significam qualidade de vida e alegria. E é sobre as intersecções desses temas que eu vou falar nesta coluna semanal no blog Minha Casa, Minha Cara. Quero compartilhar com vocês o meu jeito de olhar para a casa e para as ruas. O que eu vejo do lado de fora influencia o que coloco em meu apartamento – ou o que eu tenho planos de um dia colocar.
Quando me deparo com uma casa incrível, um edifício surpreendente ou um museu instigante, tenho desejo de construir minha própria casa, de encomendar o projeto mais maravilhoso do mundo. Mas a realidade me chama de volta e, ciente de que esse é um sonho (para depois ou não), direciono a minha imaginação para outros lados e começo a tecer conexões diferentes e mais pé no chão. Vejo um sobrado com janelas de colorido forte e penso em uma estante com as laterais roxas e uma mesa amarela, por exemplo. Uma fachada com cobogós pode me trazer à mente um bufê com portas vazadas, que permitem a entrada de ar. Um pátio interno ajardinado em uma galeria de arte pode me inspirar a fazer uma horta suspensa na parede da lavanderia.
Realizo hoje o que está mais à mão e, enquanto isso, alimento meus sonhos.
O que você acha de me acompanhar nessa viagem?

*Eu sou a Cris Teixeira, jornalista especializada em arquitetura e decoração, paulistana que não tem sotaque de paulistano, alguém que adora viajar e observar as cidades e as pessoas, cozinheira de fim de semana que sempre muda as receitas porque tem pouca paciência para regras

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